Senhorita Raiva,
Estou deveras desapontada com você, sei que minhas palavras podem te ferir, mas realmente não estou muito preocupada com seus sentimentos. Você é alta, loira, forte - e, cá para nós, usa cada decote - quer ser a popular, estar em todas, ser destaque por onde anda.
Mas andei te observando e percebi que a verdade é bem diferente, que você com toda essa pose é uma fraude. Descobri que os inúmeros convites que você tem me contado que recebe na verdade são falsos, que a senhorita tem negociado até a alma para estar em eventos que sequer seu nome foi cogitado para comparecer .
Nas reuniões íntimas, então, você aparece com essa cara de arcanjo dizendo que fez um esforço enorme para poder ir, pois estava com a agenda cheia, mas que sua ausência jamais seria perdoada e vai ficando. Como sempre, é a primeira que chega e a última que sai.
As pessoas presentes, amigas, tentam deixar você quietinha no seu canto, dar um gelo, mas você é uma oportunista e na primeira brecha toma conta da conversa, chama a atenção de todos com seu charme, distribui sorrisos melados e olhares suspeitos e eu constato que, em menos de meia hora, antes do terceiro gim tônica, você ja esta com a platéia dominada.
E não venha me dizer que eu sou ciumenta, que o meu mal é a inveja porque o que tenho de altura você tem de pernas, que o problema é o meu cabelo que precisa ser escovado, domado e massacrado enquanto o seu é maravilhosamente cacheado e brilhoso de nascimento, porque a verdade, querida, é que sua presença me incomoda, sua arrogância me impede de aproveitar as festas, o seu discurso egoísta soa como uma análise de terapia, você só se importa com você mesma, me devora a chance de escutar outras pessoas e aprender com a expêriencia alheia.
Sinceramente se você não mudar vou te deixar sozinha e sair à francesa.
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