Existe uma cidade, no interior do Brasil, onde se é possível passear por ruas tranquilas e observar pessoas, pássaros, cachorros com pedigree e outros bem viralatas, porém cada um com seus encantos.
O viajante, bom observador, contempla o vai-e-vem preguiçoso do lugar, se perguntando porque aquela gente se mantém tão conformada em viver no interior das montanhas, sem o menor interesse de se aventurar por mundos distantes ou descobrir novas culturas, e tenta adivinhar o que passa naqueles corações tão tranquilos.
Observa a obesa senhora que sem culpa assa o pão de milho no forno de barro e limpa caprichosamente a testa no pano de prato que mantém no pescoço suado e, na mesma velocidade, alivia a fome, comendo feliz as migalhas da broa que esfria na tigela ao lado.
Na casa em frente, a mãe repreende com energia o menino que tenta esconder a fita arrancada às pressas da trança da bonita filha da vizinha. Claro que a intenção dele era apenas chamar atenção da menina, jamais de sua mãe.
Lucio, o observador, calcula mentalmente quanto tempo, dinheiro e conversa dispensou para convencer sua bela Ana a fazer essa viagem, segundo ela a esse fim de mundo. E, feliz, sorri para si mesmo, concluindo que para ser feliz basta apenas o calor forte de um forno de barro, algumas migalhas de broa ou a sutil preocupação de uma mãe em fazer de um menino travesso um pequeno lorde.
4 comentários:
Adorei!! agora estou curiosa pra saber a continuação da história!!!
logo logo!! beijo
Que texto lindo, que orgulho!
obrigado Mau, mas óia a proteção, kkk
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